Ó.
Ó mãe natureza.
De imensa beleza. E bela imensidão.
Quanta amargura vivi sem ti, ó mãe.
Ó mãe, me perdoe.
Me perdoe de ter te abandonado.
Ter nascido ao teu lado e ter sido criado em terra de concreto.
Quantas ilusões eu vivi.
Quantas amores eu tentei viver.
Quanta saudade eu senti, ó mãe.
Me abrace, abrace com força colossal.
Com seu manto vivido de folhas verdes e marrons.
Um abraço forte e rochoso. Leve e suave.
E simples, como o simples ato do cair de uma folha de árvore.
Viver no concreto.
E como viver uma ilusão.
A ganância e o poder te cegam.
E cedo ou tarde, você estará aprisionado ali.
Por isso voltei.
Peguei minhas malas velhas e voltei.
Com três mudas de roupa.
Ó mãe.
Meu coração sentiu tanto a sua falta.
Batia de saudade.
Saudade do teu carinho.
Tanta saudade que uma margarida nasceu.
Na terra fértil do meu coração.
Tempos difíceis foram aqueles na terra de concreto e
neon.
O chão duro e morto sob meus pés.
O céu cinza, triste e mórbido sobre mim.
E sua paisagem corriqueiramente acinzentada e monótona.
O ar pesado. O chão de asfalto e cimento.
Sem ti, virei servo da tediosa monotonia.
Mas finalmente voltei.
Adeus vida urbana.
Olá mãe.
Ó Mainha. Ó maizinha.
Seus olhos já não suportam de emoção. Eu sinto.
Mares escorrendo de seus olhos azuis e límpidos.
Ó mãe.
Prometo nunca mais sair desse paraíso verde e intocável.
Quero viver aqui agora.
Até que o tempo e o espaço me levem embora.
Ó mãe natureza.
De beleza universal. De vestido azul celeste.
Sujo de nuvens branquelas e fofas.
Sujo de nuvens branquelas e fofas.
Nunca mais partirei daqui.
Eu prometo.
Ó Mãe.